quinta-feira, 29 de março de 2012

Temas De Novelas (1964) compacto


Um compacto raro, que traz a trilha de abertura de uma antiga novela da TV Record, a trama "Renúncia", de Roberto Freire, que na época fez muito sucesso. Contava com a estréia do galã, Francisco Cuoco, contracenando com a atriz Irina Greco (nunca mais ouvi falar dessa atriz).
A música tema era na verdade uma composição de Elmer Bernstein, chamada "Progress", executada pela Orquestra TV Sound, da TV Record, tendo como arranjador e regente o maestro Ciro Pereira. Do outro lado do compacto, que é simples, temos outro tema, "Inspetor Burke" (Burke's law), de Herschel Gilbert(série americana de 1963 produzida pela ABC).

Lado A-Progress (tema de renúncia)
Lado B-Inspetor Burke (tema de burke's law)

terça-feira, 20 de março de 2012

DICA DE CD


CD RITA LEE - SANTA RITA DE SAMPA (1997)
UNIVERSAL MUSIC
Santa Rita de Sampa



Em primeiro lugar, deve-se parabenizá-la pelo acabamento do disco: fino e de incontestável bom gosto. As fotos, em preto, branco e tons de rosa, estão belíssimas! O surrealismo de alguns takes produzem agradável contraste com a aparente sobriedade. Entretanto, o que salta à vista, no encarte, é o fato de Mrs. Lee e de Mr. Carvalho haverem bebido das águas da fonte da enterna juventude — são eles os verdadeiros homem e mulher vinho!



Mas Santa Rita de Sampa não é apenas mera composição de detalhes. É um todo: coeso e vibrante.

"Normal em Curitiba" é um clássico antes de sê-lo. Foi a música que mais ouvi e, ao acionar o CD, é aquela que mais aguardo (quando não vou diretamente a ela). Rita Lee é a nossa melhor compositora de rocks básicos e fortes. Não se vê nada parecido na sua geração, e nem nas seguintes. E quanto ao título? A que se refere? É certo afirmar que faz alusão aos eternos "anormais" curitibanos (leia-se Dalton Trevisan, Wilson Martins e Paulo Leminski)?

"O Que Você Quer" me fez lembrar de "Gente", de Raul Seixas; afinal "gente nasceu pra querer". Rita, no entanto, fez do querer algo mais bonito e mais elaborado. Raul compôs uma música menor, onde inseriu — apenas uma — de suas observações geniais. Rita Lee desdobrou a coisa e fê-la mais rica, visto que mostrou-a de várias maneiras: "Bêbado, você quer / Em perigo, você quer... No inferno, ainda quer... Velho, você continua querendo." Fora que a batida do violão faz do conjunto, letra e música, um convite ao irresistível; carrega aquele gosto de liberdade hippie, da histórica "Perto do Fogo".

A participação de Guinga em "Tum Tum" é um must. Madame Lee, sabiamente, escreveu versos que completam e que ressoam na música, sem ter de dizer necessariamente alguma coisa. Abriu espaço para o mestre e seu violão de veludo, ressaltando a melodia que é de uma doçura quase lúdica.

"Homem Vinho" é um poema; composto em uma de suas fases de maior inspiração: "Homem vinho / O tempo te lapida... Tua fina estampa / De Sampa o mais completo tradutor... Sangue de bamba / Pano pra manga... Carma de mestre / Cabra da peste... Leitmotiv como ninguém." Sem (ou por) querer, Rita fala também de si mesma.

"Santa Rita de Sampa" — a música — é a cara da autora; e não é. É como ver Villalobos e Pelé, falando de si mesmos na terceira pessoa do singular. Dos malucos sois, ó Rita, realmente, a beleza. Pelo que percebi, não participas do coro de admiradores da Paglia — interessante como fenômeno; nem tanto pelo que diz. "Desvairada da Paulicéia" (na letra) alude a Mário de Andrade, antecipando toda essa história de cartas reveladoras — que o trouxe de volta à ribalta. Já o instrumental, entre pesado e baladeiro, segue em equilíbrio — harmonioso, e inatingível para os não veteranos do Rock.

"Fruta Madura" canta o amor soberano, que a tudo supera e que para o além atravessa. É a lição dos Lee de Carvalho em tão difícil matéria: relacionamento humano. Tem também o seu quê de clássico ritalístico; bem ao estilo do memorável álbum "Lança Perfume".

"Obrigado Não" é a voz da experiência falando; é a reflexão sobre o que foi e o que será do/no Brasil. E é, por que não dizer, uma tremenda de uma festa. Energia bruta, sinceridade mordaz.

"Longe Daqui, Aqui Mesmo" traz o frescor dos dias de sol e de céu azulzinho. Tem em si a leveza e o colorido das coisas naturais; faz apologia à insuperável interação homem/natureza, muito antes da tecnologia, do urbanismo, da modernidade e da artificialidade — e muito depois também. A percursão e o "autoharp" dão-lhe o tom e o brilho. Parece ser, de algum modo, aparentada de "Pega Rapaz".

"Ando Jururu" é, da mesma maneira que "Homem Vinho", uma homenagem ao contrário: a homenageada de outrora rende homenagem àqueles que a homenagearam naquele então. Assim como "Homem Vinho" se refere a Caetano, que se refere a Rita em "Sampa", "Ando Jururu" remete ao rock dos Raimundos, que remete à rebeldia explosiva e descabida dos legendários Mutantes. A letra prega a simplicidade despojada, punk — que aposta no lema do it yourself, e não em background ou know-how. Existe algo mais verdadeiro, no cerne do Rock’n’roll, do que "shoobeedodaudau"?

"Jardim de Allah" é mais um jogo de palavras do que uma música, convencionalmente falando. Volta a impagável Rita de "Se o rosto da Elisabeth Arden, o que é que a Helena Rubenstein a ver com isso?" Descubra por si só o duplo sentido (às vezes não tão evidente) de: "Dízimo com quem andas / E eu te direi quem és", "A César o que é de Deus / Adeus mundo cruel", "Mata Hare Krishma espionando / Testemunhas de Yemanjá", "Haja Guerra Santa para tanta paz" e por aí vai... E o refrão? Alude à castradora Bobbit? ("Dalila cortou os cabelos do pau de Sansão.")

De "Dona Doida" é difícil separar o caráter televisivo, global, até porque Dona Rita flertou (e continua flertando) com o gênero melhor do que ninguém. Seus temas de novela, à diferença do que geralmente acontece, não se esgotam com o fim da trama. Permanecem atuais, modernos. O embalo circense e a mneumônica de "sete e sete são cartoze, com mais sete vinte e um" estão impregnados de infância e dos tempos de colégio.

"Menino de Braçanã" começa e segue com a habílissima levada de Roberto de Carvalho. Reside aí a inventividade da dupla: Roberto dosa as cordas de acordo com a necessidade de Rita, e Rita, por sua vez, espalha a voz conforme lhe permite a viola de Roberto. É inegável o clima de adeus, que permeia a canção "É tarde, já vou indo... Se eu demoro, mamãezinha tá a me esperar..." A isto sobrepõe-se a imagem da moça ingênua (nostalgia de Rita, que nunca o foi e) que, partindo, diz: "Tá doido moço, num faço isso não... ando com Jesus Cristo no meu coração."

Quem carrega consigo tais doses de fertilidade e de vitalidade não teme mesmo a escuridão.

Bendita Rita, um brinde à vossa luz!

sábado, 17 de março de 2012


Rita Lee desbanca Michel Teló em ranking do iTunes
16/03/2012 | 19h20 | Música



Michel Teló está perdendo seu reinado, pelo menos no iTunes. E quem está desbancando o sertanejo é uma roqueira da mais conhecidas: Rita Lee. De acordo com a coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo, a faixa Reza, da cantora, ultrapassou o hit Ai se eu te pego em número de downloads do Top Chart Music, a loja brasileira do iTunes.


Apesar de parecer discreto, o feito de Rita Lee é digno de méritos, afinal de contas a música interpretada por Teló ocupava o primeiro desde que o site foi lançado. Apesar de ter sido gravada pelo cantor em julho de 2011, a música teve seu sucesso expandido por mais alguns meses por causa de sua versão em inglês, gravada em fevereiro deste ano.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Paulínia Fest 2011 traz Rita Lee, Caetano Veloso e Gilberto Gil


Em paralelo ao Paulínia Festival de Cinema 2011, o Paulínia Fest garante música ao evento dedicado à Sétima Arte. Durante o primeiro final de semana do festival de cinema, a plateia confere o som de Rita Lee, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Seu Jorge e Vanessa da Mata. Isso sem mencionar, o som do Addictive TV e de DJs. O Paulínia Fest será abrigado em uma tenda, com capacidade para 5 mil pessoas, armada ao lado do Theatro Municipal de Paulínia entre 7 e 9 de julho. Sempre, a partir das 23h.



Na abertura (7/7), Rita Lee é a estrela. “É a nossa cantora mais cinematográfica”, diz Sérgio Ajzemberg, um dos produtores do evento musical, justificando a escolha. Após o show da artista, o público aprecia o som do duo inglês Addictive TV. “Eles unem a música eletrônica com projeções da cinematografia mundial”. Ao final de cada noitada, DJs foram escalados para animar a pista.



O festival de música segue com as dobradinhas Caetano Veloso e Seu Jorge (8/7), e Gilberto Gil e Vanessa da Mata (9/7). Detalhe: o evento, que nas versões anteriores enalteceu o popular, dedicando ao sertanejo e pagode; estabelece-se neste ano pela MPB. “Será a trilha sonora do festival de cinema. Música e cinema andam juntos”.



Serviço
A tenda será armada ao lado do Theatro Municipal de Paulínia (Av. Prefeito José Lozano Araújo, 1551, Pq. Brasil 500). O preço dos convites ainda não foi divulgado.

Pitty aparece na revista americana 'Billboard' na parada de novidades


A cantora baiana Pitty ganhou destaque na revista americana "Billboard" desta semana devido ao seu desempenho no ranking dos "artistas em ascensão", que leva em conta sites como MySpace, Twitter, Facebook, YouTube, Last.FM e SoundCloud. Depois de chegar à terceira posição da lista, Pitty aparece em 29ª.

Na seção que se chama Dreamseekers, a brasileira é listada entre os melhores da parada Uncharted, dedicada aos que não apareceram nas listas de músicas mais tocadas e discos mais vendidos dos EUA. Segundo a "Billboard", a cantora foi impulsionada pelo YouTube. O principal vídeo foi uma entrevista com mais de 200 mil visualizações em maio. Os cliques referentes ao recém-lançado CD-DVD ao vivo "A trupe delirante do Circo Voador" também foram analisados.

terça-feira, 31 de maio de 2011

TRILHAS DE NOVELAS

Álbum: Insensato Coração Nacional 2011

Musicas:
01 Coração Em Desatino – Maria Rita
02 Sem Poupar Coração – Nana Caymmi
03 Ela É Minha Cara – Mart´nália
04 Love – Simone
05 Só Louco – Dori Caymmi
06 Pra Que Discutir Com A Madame – Diogo Nogueira
07 Ela Vai Pro Mar – Luiz Melodia
08 Trocando Em Miúdos – Maria Bethânia
09 A Tonga Da Mironga Do Kabuletê – Toquinho, Vinicius De Morais e Monsueto
10 20 Anos Blues – Elis Regina
11 Turma Do Funil (No Baixo Leblon) – Miúcha e Tom Jobim Part Chico Buarque
12 Domingo Azul No Mar – Oscar Castro Neves e Leila Pinheiro ao vivo
13 Verdade Da Vida – Ney Matogrosso
14 Homem Com H – Zeca Baleiro
15 Super Homem – Caetano Veloso
16 Eu Preciso de Você – Verônica Sabino
17 Que País É Este – Lagião Urbana
18 Magia – Instrumental

RITA LEE ESQUENTOU A NOITE DOS PORTOALEGRENSES !!!


FONTE:| Por Lidy Araujo | Fotos: Pedro Braga |

A pouquíssimos minutos das 21h, Rita Lee tuitou: “Atençāo. Concentraçāo. Ansiedade generalizada sob controle. Inspire, expire, pire. Insegurança OFF. Prazer ON. 5 4 3 2 1”. Era o anúncio do show que começaria em instantes no Teatro do Bourbon, em Porto Alegre, na noite de sábado, 28.

A cantora sobe ao palco, e os primeiros acordes de “Agora Só Falta Você” dão início à apresentação. A banda está desfalcada. Beto Lee, guitarrista e filho de Rita, não foi liberado das gravações do reality Geleia do Rock, do Multishow. Fez falta, e Roberto de Carvalho segura a onda sozinho. Nada dramático, logicamente, já que o cara tem talento de sobra para isso, assim como todo o resto da banda, formada por Brenno di Napoli (baixo), Edu Salvitti (bateria), Danilo Santana (teclados) e Débora Reis e Rita Kfouri (backing vocal).

“Vírus do Amor” vem na sequência e, em seguida, Rita Lee cumprimenta o público em portunhol. “Estive em turnê pela América do Sul e voltei com este sotaque. Sabe aquela pessoa que passa uma semana num lugar e já pega o sotaque?”, ironiza, para logo reclamar da velhice. “Ficar velho é uma merda, essa maldita dor nas costas. Acho que eu e o Ozzy somos irmãos.”

Então, uma porrada de hits são destilados para delírio da plateia. “Banho de Espuma”, “Lança Perfume”, “Chega Mais” e “Doce Vampiro” estão lá, além da idolatrada “Ovelha Negra”, claro. Neste momento, Rita homenageia a cantora e amiga Elis Regina. “Ela era a verdadeira ovelha negra. Éramos tão amigas, e a gente falava tanta bobagem juntas. Não posso chorar”, diz, já com lágrimas nos olhos.

A cantora também aproveita para fazer um resumo de sua história. “Na adolescência, eu era feia, assim, normal, não fazia nada. Ao contrário da infância. Então, veio a pós-adolescência, e foi aí que o bicho pegou. Meu pai disse: ‘aqui em casa, você trabalha ou estuda, música não é nem um nem outro’. Adorei a dica, arrumei minhas coisas e me joguei na vida”, conta. “Fiz parte de umas ‘bandinhas’, mas faltava o ovelho negro. Então, o conheci. Eu, uma paulista branquela e sem samba no pé, fui me apaixonar por um carioca.” Rita aproveita para fazer a mãe-coruja e falar dos três filhos e afirmar que segue feliz e contente com a família que formou.

Há ainda homenagens aos Beatles, com uma versão calminha de “A Hard Day’s Night”, e Michael Jackson. Desde que descobriu Nikki Goulart, cover gaúcho do cantor, sempre que pode, Rita o convida para participar do show. É um espetáculo à parte, já que o cara faz uma imitação perfeita do artista.

Após uma hora, Rita despede-se do palco. A plateia chama, e minutos depois, ela volta para o bis que começa com “Desculpe o Auê”, passa por “Ando Meio Desligado”, “Mania de Você” e “Flagra” e termina com “Erva Venenosa”. Então, ela despede-se novamente, desta vez, de verdade, deixando, as usual, o público com gosto de quero mais.

Para finalizar a noite, a própria cantora registra em seu Twitter: “POA sempre gentil comigo. Gauchada sangue bom. Uma bela chuveirada e tuitz no forévis. Spider vérigudz.”

P.S.: Vale lembrar que Rita Lee está em estúdio e, em breve, pinta por aí um disco inédito. Aguardando.